Débora, de 3 anos, viveu quase a vida toda em um leito de UTI em Natal.
A mãe Maria da Conceição da Silva levou filha para casa em abril.
Apesar de não mover as pernas e precisar de ventilação mecânica, Débora mexe os braços, sorri, fala e interage piscando os olhos. O jeito curioso e risonho fez da menina um 'xodó' na UTI do Hospital Varela Santiago. A prova de carinho está nas constantes visitas dos profissionais que acompanhavam a menina na unidade hospitalar.
No apartamento do bairro Santa Tereza, em Parnamirim, moram Débora, a mãe e o pai, que trabalha como porteiro. O imóvel precisou ser comprado pela família para comportar os aparelhos necessários para a ventilação mecânica da menina. Uma equipe formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeuta e nutricionista acompanha a criança diariamente.
Justiça
Pacientes como Débora são chamados de crônicos. Quando as famílias não têm condição financeira de pagar por um serviço como o home care, que custa em média mais de R$ 25 mil mensais, a única saída encontrada tem sido a Justiça. Maria da Conceição só foi informada que poderia levar a filha de volta para casa quando soube do caso de uma mãe que ganhou o direito ao home care judicialmente.
"Falei com essa mãe, procurei um advogado e consegui", explica Conceição, que recebeu a notícia da decisão judicial favorável em fevereiro. Desde então foram diversas reuniões entre a empresa que presta o serviço Home Care e o hospital.
"A transição foi muito bem orquestrada. O ambiente hospitalar não é adequado. Aqui ela corre risco de infecção, como já aconteceu, e vê outras crianças doentes, morrendo", explica a pediatra intensivista Patrícia Lizandro.
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